quarta-feira, 14 de abril de 2021


 


Alterações do olfacto e do paladar na COVID-19Entrevista Viva Saúde RTP África, 12 Abril 2021


https://www.rtp.pt/play/p8269/e536850/viva-saude




terça-feira, 13 de outubro de 2020

COVID-19 é uma grande dor de cabeça!

 


Após a emergência de um novo coronavírus designado SARS-CoV-2, a COVID-19 (corona vírus disease 2019) foi inicialmente caracterizada por febre, dor de garganta, tosse e dispneia, manifestações principalmente do aparelho respiratório. Contudo, outras manifestações como cefaleias, dores abdominais, diarreia, perda do paladar e do olfacto foram adicionadas ao espectro clínico durante a evolução da pandemia COVID-19. As descrições de alterações neurológicas têm aumentado rapidamente, parecendo as cefaleias serem o líder da lista dos sintomas. As cefaleias têm sido reportadas em 11-34% dos doentes COVID-19 hospitalizados, principalmente cefaleias de novo, moderadas a severas, bilaterais, pulsáteis ou fixas, com localização temporo-parietal, supra ou periorbitária. As características clínicas mais peculiares são o início súbito ou gradual, a má resposta aos analgésicos simples e a alta taxa de recorrência limitada à fase activa da COVID-19. 6 a 10% dos doentes COVID-19 sintomáticos descreveram a cefaleia como sintoma inicial.


quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Novo medicamento para o tratamento da enxaqueca

                                 
No dia 11 de Outubro a Food and Drug Administration (FDA), agência do medicamento norte americana, aprovou o lasmiditam para o tratamento das crises de enxaqueca com ou sem aura, em adultos. Este medicamento oral é o primeiro de uma nova classe terapêutica para as crises de enxaqueca. É um agonista dos receptores 5-HT1F da serotonina, sendo muito mais específico que os anteriores agonistas.
Dois estudos de fase III, controlados por placebo, avaliaram a segurança e a eficácia do lasmiditam. Em ambos, os doentes que tomaram o medicamento activo, duas horas depois,  tiveram percentagens mais elevadas sem dor e sem sintomas acompanhantes como náuseas, sensibilidade à luz e aos sons. Em termos de efeitos indesejáveis, os mais frequentes foram alterações do equilíbrio, sensação de fadiga, parestesias, sonolência, náuseas e/ou vómitos. A capacidade de condução poderá ser afectada, pelo que os doentes deverão ser alertados para não conduzir ou operar máquinas pelo menos durante 8 horas após a tomarem o medicamento, mesmo que se sintam bem.
Está previsto que o lasmiditam esteja disponível no mercado norte americano dentro de 90 dias, em comprimidos de 50, 100 e 200 mg.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Avanços no Tratamento da Enxaqueca em 2018


O desenvolvimento e a introdução no mercado dos anticorpos monoclonais contra o CGRP ou contra o seu receptor constituem os avanços mais importantes no tratamento da enxaqueca durante décadas.
Três ensaios clínicos de fase 3, controlados por placebo, aleatorizados e em dupla ocultação, comprovaram a segurança e eficácia desta nova classe de fármacos.
Com base nos perfis positivos de segurança, tolerabilidade e eficácia destes anticorpos monoclonais contra o CGRP (fremanezumabe e galcanezumabe) ou contra o seu receptor (erenumabe) receberam a aprovação para o tratamento preventivo da enxaqueca nos adultos pela US Food and Drug Administration (FDA) e pela European Medicines Agency (EMA). Especificamente a FDA e a EMA aprovaram a injecção subcutânea mensal de 70 e 140 mg de erenumabe; a FDA aprovou a injecção subcutânea de fremanezumabe, 225 mg mensal ou 675 mg trimestral; por fim a FDA aprovou o galcanezumabe na dose mensal de 120 mg.
Estão a decorrer estudos investigando os anticorpos monoclonais contra o CGRP em doentes com cefaleia em salvas, devendo durante o ano de 2019 ser estabelecida a sua eficácia.

terça-feira, 12 de junho de 2018



FDA e EMA aprovam novo tratamento preventivo para a enxaqueca




A Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos da América, aprovou no dia 18 de Maio do corrente ano o AimovigR (erenumab) para o tratamento preventivo da enxaqueca nos adultos. O tratamento é auto-administrado uma vez por mês. É o primeiro tratamento preventivo de uma nova classe de substâncias que actuam bloqueando o CGRP (calcitonin gene-related peptide, uma molécula envolvida nas crises de enxaqueca) a ser aprovado pela FDA. Este medicamento proporciona aos doentes uma nova opção para reduzir o número de dias com enxaqueca. Os efeitos indesejáveis mais comuns nos ensaios realizados, foram dor no local da injecção, obstipação, espasmos musculares e prirudo.
A 31 de Maio o Committee for Medicinal Products for Human Use (CHMP), organismo da Eeuropean Medicines Agency (EMA) na Europa, recomendou a concessão de autorização de marketing para o AimovigR (erenumab). Estará disponível em solução de 70mg e estará indicado na profilaxia da enxaqueca em adultos que tenham pelo menos 4 dias com enxaqueca por mês.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Enxaqueca. novidades na terapêutica em 2017


A enxaqueca é a principal causa de incapacidade neurológica no mundo, sendo também uma das cinco principais causas de incapacidade a longo prazo. O sucesso dos tratamentos disponíveis é limitado pela eficácia inadequada, pelos efeitos adversos e pela má aderência dos doentes. Além disso, os medicamentos disponíveis para a profilaxia (em que se incluem anti-epilépticos, beta-bloqueantes e antidepressivos) não são específicos para a enxaqueca.
Uma nova etapa no tratamento da enxaqueca está a surgir com o rápido desenvolvimento de novos medicamentos específicos para a enxaqueca, para prevenção ou tratamento das crises. Estes novos medicamentos actuam num único alvo, o neuropeptídeo CGRP (calcitonin gene-related peptide). O ubrogepant é um antagonista dos receptores do CGRP, é administrado por via oral e está a ser desenvolvido para actuar nas crises. Outros medicamentos estão a ser desenvolvidos para a prevenção das crises em doentes com enxaqueca episódica (4 a 14 dias com crises por mês) ou com enxaqueca crónica (15 ou mais dias com crises por mês). Estes medicamentos profilácticos são anticorpos monoclonais que actuam na molécula do CGRP (eptinezumab, fremanezumab e galcanezumab) ou no seu receptor (erenumab). Estes cinco medicamentos estão a ser sujeitos a ensaios de fase 3, tendo sido feita a actualização dos ensaios publicados no 18º Congresso da International Headache Society, que se realizou em Setembro transacto, em Vancouver, no Canadá. Foram reportados resultados positivos, com uma redução significativa dos dias com enxaqueca e um perfil de tolerabilidade e segurança semelhantes ao placebo. O erenumab está a ser avaliado pela FDA (Food and Drug Administration) e pela EMA (European Medicines Agency) para autorização de comercialização, esperando-se que outros o venham igualmente a ser. É muito provável que estes novos medicamentos estejam no mercado dentro de 1 a 2 anos.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Enxaqueca: algumas novidades em 2016


Um importante estudo epidemiológico baseado no “Nurse's Health Study”, englobou 116470 enfermeiras, tendo 17531 enxaqueca. Nos 10 anos do estudo foram registados os eventos vasculares, tendo-se verificado que as participantes com enxaqueca tinham um risco aumentado de acidentes vasculares cerebrais e enfartes do miocárdio. Embora em números absolutos o risco seja baixo, é imperioso aconselhar as senhoras com enxaqueca a tratar os factores de risco, como deixar de fumar e controlar a hipertensão arterial.

Um grande progresso no tratamento da enxaqueca e da cefaleia em salvas será a utilização dos inibidores do CGRP (Calcitonin Related Gene Peptide). Foram publicados resultados dos ensaios de fase 2 na prevenção da enxaqueca episódica e crónica, sendo de realçar a excelente tolerabilidade e ausência praticamente total de efeitos indesejáveis. Aguardam-se com grande expectativa os resultados dos ensaios de fase 3 dos anticorpos contra o GCRP ou contra o seu receptor. Igualmente promissor foi o resultado do ensaio do ubrogepant (novo antagonista do CGRP) no tratamento das crises de enxaqueca.

Foi publicado o resultado de um estudo sobre o encerramento do foramen ovale em doentes com enxaqueca, tendo os resultados sido negativos. O encerramento do foramen ovale não deverá pois ser uma opção na terapêutica preventiva da enxaqueca.