A enxaqueca é uma doença
neurológica, sendo considerada pela Organização Mundial de Saúde a terceira
doença mais prevalente e a sétima mais incapacitante no mundo. Afecta cerca de
15% das pessoas, principalmente em idades mais formativas e produtivas (20 – 50
anos); 6 – 10% das crianças e jovens em idade escolar (5 – 18 anos) têm crises
de enxaqueca numa fase de importante desenvolvimento cognitivo e social.
Acarreta um elevado custo, quer pelo absentismo quer pela diminuição da
capacidade de trabalho que as crises provocam ou ainda pelo consumo de
medicamentos e cuidados de saúde. Em cerca de 2% da população com enxaqueca verifica-se
uma progressão para uma forma mais incapacitante, a enxaqueca crónica, em que
os doentes têm crises em mais de quinze dias por mês. Os tratamentos para as
crises são relativamente eficazes, estando a decorrer ensaios muito promissores
de medicamentos que interferem com o CGRP, que é um potente vasodilatador, tendo
uma função importante na transmissão da dor. Estudos recentes de imagiologia funcional
demonstraram que a enxaqueca afecta as estruturas e as funções cerebrais (como
resultado de predisposição genética ou como resultado de ataques repetidos).
Estas alterações podem ser reversíveis, dando crédito à noção que o tratamento
agressivo e precoce possa ser benéfico para os doentes.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Enxaqueca nas crianças
A enxaqueca nas crianças tem habitualmente características diferentes da enxaqueca nos adultos. Mesmo os pais que têm enxaqueca não identificam os sintomas dos seus filhos como podendo estar relacionados com enxaqueca. Chamamos a atenção para alguns factos importantes:
1. Muitas crianças têm enxaqueca abdominal, que são episódios recorrentes de dor abdominal, associados a palidez, náuseas e vómitos (a dor de cabeça está ausente durante estas crises).
2. Se as crianças tiverem dor de cabeça, geralmente é na cabeça toda e não só num lado, como é habitual nos adultos.
3. Menos de metade das crianças tem dor pulsátil (latejante).
4. As crises de enxaqueca nas crianças, têm habitualmente uma duração menor que nos adultos, em regra 2 a 3 horas.
5. A frequência, intensidade e duração tendem a aumentar com a idade da criança.
6. O enjoo durante as viagens de automóvel é frequente nas crianças com enxaqueca.
7. As crises de enxaqueca nas crianças podem parecer uma desculpa para não ir à escola. As crises tendem a surgir com maior frequência durante o ano escolar e principalmente à segunda e terça feira.
8. É muito importante fazer o diagnóstico correcto e estabelecer o plano de tratamento o mais precocemente possível, para evitar a transformação em enxaqueca crónica.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Novos medicamentos para a prevenção da enxaqueca
Durante a 66ª reunião anual da American Academy of Neurology, que decorreu de 26 de Abril a 3 de Maio em Filadélfia, EUA, foram apresentados dois estudos promissores para a prevenção das crises de enxaqueca. Os fármacos em estudo são anticorpos monoclonais anti-CGRP (Calcitonin Related Gene Peptide) que é um potente vasodilatador, tendo uma função importante na transmissão da dor. Os dois estudos são de fase II (estabelecimento da eficácia, geralmente contra placebo) e demonstraram diminuição do número de crises e sem diferença nos efeitos indesejáveis, em relação ao placebo. Poderemos estar perante uma nova era na prevenção da enxaqueca, pois estes novos medicamentos são dirigidos contra o alvo dos mecanismos da doença. Aguardemos pois os novos estudos comprovem os resultados preliminares apresentados.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Outras Cefaleias – Perguntas frequentes
P: O que é a cefaleia tipo tensão? Quais as suas causas e qual o
tratamento?
R: As cefaleias tipo tensão são
frequentes, resultando frequentemente de situações temporárias de stress, ansiedade,
fadiga ou irritação. O tratamento inclui
medidas farmacológicas e não farmacológicas, como técnicas de relaxamento.
P: O que é a cefaleia em salvas (“cluster headache”)? Quais as suas causas e
qual o tratamento?
R: O seu nome deriva da
ocorrência de vários episódios agrupados (por exemplo ocorrência de um episódio
que se repete durante um mês). A dor surge habitualmente sem aviso,
localizando-se habitualmente num lado da extremidade cefálica. São habituais
sintomas acompanhantes como lacrimejo, olho vermelho ou corrimento nasal do
lado da cefaleia. É mais frequente nos homens, sendo considerada a cefaleia
mais intensa.
P: O que é a cefaleia atribuída a sinusite? Quais as suas causas e qual o
tratamento?
R: É uma cefaleia que acompanha
por vezes os episódios de rino-sinusite aguda ou episódios de agudização de
rino-sinusite crónica, devendo desparecer num período de sete dias após a
remissão ou o tratamento bem sucedido da infecção. Confunde-se frequentemente
com enxaqueca, sendo muito menos frequente que essa entidade.
P: O que é a cefaleia por uso excessivo de medicação?
R: A ingestão de medicação
analgésica muito frequente (mais de 2 dias por semana) ou excessiva (mais do
que a quantidade prescrita) poderá provocar este tipo de cefaleia. O tratamento
consiste em suspender a medicação excessiva, recorrendo por vezes a outros
medicamentos, como os neuro moduladores.
P: As cefaleias são hereditárias?
R: Três em cada quatro pessoas
com enxaqueca têm um familiar do 1º grau atingido. Uma criança tem 50% de
probabilidades de ter enxaqueca se um dos pais tiver e 75% se ambos tiverem.
P: Por que é que algumas pessoas só têm cefaleias no fim-de-semana?
R: A alteração do padrão do sono –
muito ou pouco – pode desencadear uma cefaleia. Por vezes também está implicada
a abstinência de cafeína.
P: Que tipos de cefaleias existem?
R: As cefaleias dividem-se em
dois tipos principais: as primárias como a enxaqueca e a cefaleia tipo tensão, (não
são consequência de outra doença) e as secundárias (por exemplo secundárias a
alterações oculares ou a febre).
P: É possível a mesma pessoa ter vários tipos de cefaleias?
R: É frequente a existência de mais
de um tipo de cefaleia na mesma pessoa, sendo a associação mais frequente a
enxaqueca e a cefaleia de tipo tensão.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Enxaqueca - Perguntas frequentes
R: Geralmente a cefaleia (dor de
cabeça) começa como uma dor surda, passando posteriormente a uma dor pulsátil
(latejante) mas têmporas, bem como na frente ou na parte de trás da cabeça, de
um ou dos dois lados. A dor geralmente é acompanhada de náuseas (enjoos),
vómitos e aumento da sensibilidade à luz e aos sons. Cerca de 15% das pessoas
com enxaqueca têm aura antes da crise. A enxaqueca em si própria é uma doença,
não sendo consequência de outras. O tratamento inclui medidas farmacológicas e
não farmacológicas, como a actividade física.
P: O que é a aura?
R: Cerca de 15-20% das pessoas
com enxaqueca têm “aura”, que é um conjunto de sintomas que geralmente ocorre
antes da dor com origem no cérebro. Podem consistir em linhas onduladas ou
denteadas, pontos luminosos, visão em túnel ou manchas cegas num ou nos dois
olhos. A aura pode incluir alucinações visuais ou auditivas; podem ainda surgir
alterações do olfacto como cheiros estranhos. Podem ainda surgir alterações da
sensibilidade e perturbações da linguagem como dificuldade em encontrar a
palavra correcta. A aura tem geralmente uma duração inferior a 60 minutos e
desaparece à medida que a dor se desenvolve.
P: O que é um factor
desencadeante?
R: Certos factores físicos ou
ambientais, como alguns alimentos, alterações hormonais, alterações
climatéricas e stress podem desencadear uma crise de enxaqueca (e não ser a sua
causa!). É importante realçar que os factores desencadeantes não são iguais
para todas as pessoas, pelo que deverão ser anotados no diário das crises.
P: O clima afecta a enxaqueca?
R: O sol brilhante, o calor, a
humidade e as mudanças drásticas na pressão atmosférica podem desencadear
nalgumas pessoas crises de enxaqueca.
P: Qual a relação entre enxaqueca
e hormonas?
R: As hormonas iniciam e regulam
muitas das funções do nosso corpo. Quando os níveis hormonais se alteram, como
na menstruação, gravidez e menopausa, poderão ser desencadeadas crises de
enxaqueca. De facto, 3 em cada 4 senhoras com enxaqueca afirmam que as crises
estão relacionadas com o período menstrual.
P: As pessoas com enxaqueca têm
um risco acrescido de acidentes vasculares cerebrais (AVC)?
R: Apesar de por vezes alguns
doentes no decurso de uma crise de enxaqueca terem medo de ter tido um AVC, a
probabilidade de a enxaqueca ser causa de AVC é muito remota. Em pessoas com
menos de 40 anos, a enxaqueca é dos principais factores de risco para AVC. No
decurso da vida, a enxaqueca está associada a um reduzido risco de morrer por
AVC.
P: Que tratamentos existem para
tratar uma crise de enxaqueca?
R: Para tratar as crises de
enxaqueca empregam-se geralmente medicamentos de venda livre como o ácido
acetilsalicílico, o paracetamol e o ibuprofeno, e medicamentos específicos
(sujeitos a receita médica) como a ergotamina e ps triptanos. Deverão evitar-se
medicamentos que contenham associações.
P: O que são triptanos?
R: Os triptanos são uma nova de
classe de medicamentos específicos para o tratamento das crises de enxaqueca.
Para além de serem vasoconstritores, participam na modulação de algumas reações
químicas no cérebro. Os triptanos actuam em receptores do cérebro, contribuindo
para restaurar os níveis de serotonina. Os níveis deste neurotransmissor
encontram-se alterados nas crises de enxaqueca.
P: Os “OTC” (medicamentos de
venda livre) são eficazes na enxaqueca?
R: Alguns medicamentos de venda
livre poderão ser eficazes no tratamento de algumas crises de enxaqueca,
particularmente as crises ligeiras a moderadas. Contudo, o médico assistente deverá
ser consultado antes de se iniciar qualquer regime para tratar as crises de
enxaqueca.
P: O que é a medicação preventiva
para a enxaqueca?
R: A medicação preventiva ou
profilática é utilizada para reduzir a frequência, intensidade e duração das
crises de enxaqueca. A maioria dos medicamentos utilizados foram inicialmente
desenvolvidos para tratar outras doenças como a epilepsia, a depressão e a
hipertensão arterial.
P: Qual o papel das terapêuticas
não convencionais no tratamento da enxaqueca?
R: Algumas destas terapêuticas
são úteis nalguns doentes, como por exemplo a acunpuntura e o yoga. De acordo
com as normas de orientação da AAN (Academia Americana de Neurologia) são úteis
na prevenção da enxaqueca a matricária, a riboflavina, o magnésio e a “Butterbur”
(Petasites hybridus).terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Os relâmpagos desencadeiam cefaleias nas pessoas com enxaqueca
Um novo estudo, publicado online em 24 de Janeiro na Cephalalgia (orgão da International Headache Society), mostrou que os relâmpagos estão associados a um aumento de cefaleias em pessoas com enxaqueca. Os investigadores constataram que comparando os dias com relâmpagos com os dias sem relâmpagos, a frequência global de cefaleias aumentou 31% e a de enxaqueca 28%. O estudo mostrou também que houve aumento das crises de cefaleias e de enxaqueca nos dias com relâmpagos.
Os relâmpagos parecem representar um factor desencadeante de cefaleias em pessoas com enxaqueca que não pode ser completamente explicado pelos outros factores meteorológicos. Não se sabe se os relâmpagos desencadeiam directamente as cefaleias através de ondas electromagnéticas ou indirectamente através de bioaerossóis (por ex o ozono), de indução de esporos de fungos ou de outros mecanismos.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Eficácia da neuro estimulação na prevenção da enxaqueca
O primeiro estudo controlado e randomizado com um aparelho que estimula o nervo trigémio mostrou um efeito moderado na prevenção da enxaqueca (evidência de Classe III); este estudo, conhecido como PREvention of Migraine using the STS Cefaly (PREMICE) foi publicado na Neurology online em 6 de Fevereiro do corrente ano .
O aparelho é aplicado como uma banda cefálica, que estimula o nervo trigémio através da pele. No estudo, o aparelho foi utilizado 20 minutos por dia e proporcionou uma redução de 25% dos dias com enxaqueca e de 19% de redução das crises. É um tratamento promissor para alguns doentes, particularmente para os que não toleram a medicação actualmente recomendada, não sendo de descurar a ausência de efeitos indesejáveis.
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| O eléctrodo estimulador cobre os nervos supratroclear e supraorbitário |
O aparelho é aplicado como uma banda cefálica, que estimula o nervo trigémio através da pele. No estudo, o aparelho foi utilizado 20 minutos por dia e proporcionou uma redução de 25% dos dias com enxaqueca e de 19% de redução das crises. É um tratamento promissor para alguns doentes, particularmente para os que não toleram a medicação actualmente recomendada, não sendo de descurar a ausência de efeitos indesejáveis.
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